FINALMENTE DECIDI ESCREVER

BEM VINDOS

ESCREVER É MUITO BOM, MAS SABER SER LIDO, É MUITO MELHOR

HOMENAGEM

Aos amigos que, mesmo sendo grama, sempre compartilham o cardápio.

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terça-feira, 29 de dezembro de 2009

ACONTECEU DE NOVO



Se quiser, vá você. Eu não vou passar por tudo aquilo de novo.
— Mas o pessoal mudou, estão mais escolados, mais sabidos. A tal da internet está deixando todo mundo muito informado. Nem vamos precisar de tanto tempo pra divulgar nossas idéias. — Disse Mohamed, animado principalmente pelos últimos acontecimentos.
— E você Abraão, o que acha?
— Não sei não... Pessoas são pessoas
— Mas você não acha que, passando pelo que eles estão passando, alguma coisa tem que ter mudado?
— É... Mas não necessariamente para melhor. Os caras sempre acham que a culpa não é deles. Ou é o Homem ou “daquele outro”. Desse jeito não vejo solução, pelo menos no mandato Dele. É todo poderoso, mas...

Apesar da visível preocupação, a conversa seguia animada entre os três, quando chegou outro, bem acima do peso, com seus longos e finos bigodes, ar asiático com olhos de amêndoa e, pegando o “bonde andando” já chegou afirmando:
— Aonde vocês vão? Também quero ir.
Abraão, o mais experiente e brincalhão interpelou, dirigindo-se aos outros:
— O que vocês acham... Ele pode ir? Eu tenho dúvidas.
O gordão curioso que estava, reafirmou:
— Vou e pronto!
Jesus, já compadecido interveio:
— Mas se você nem sabe do que estamos falando, como diz que quer ir, principalmente sendo o símbolo da meditação que é não acha que deveria meditar um pouco?
— Tá bom... Tá bom... — Acatou Siddhartha — E para onde vocês estão pensando ir?
Já às gargalhadas, Abraão e Mohamed responderam quase em uníssono:

— TERRA!

— Nem fu... zilando. Passar por tudo aquilo de novo. Quem teve a “brilhante idéia”?

— Eu — disse Mohamed — Os meninos estão precisando. A vaca tá indo pro chamado brejo. Ou a gente intervém ou vai dar mer...cadoria estragada.
— E o Homem, o que diz dessa “grande” idéia?
— Ainda não consultamos. Preciso primeiro convencer vocês. Afinal não dá pra descermos como das outras vezes: Um por um. Tem muito mais gente. Acho que temos que fazer tipo arrastão na praia. Em uma semana damos cabo. Se o Nicolau consegue fazer o percurso todo em um dia (Tá certo que em 24 horas, descontado o fuso horário).

— Eu, — Disse Abraão — desde que o Todo Poderoso concorde com essa loucura, acredito ser melhor a gente ir ao mesmo tempo, cada um para um lugar diferente, de acordo com nosso prestígio e necessidade.

— Eu concordo. — Retrucou Jesus e, chamando a atenção de Mohamed disse: — Sua afobação pode piorar ainda mais as coisas. Já pensou nós quatro descendo de uma vez. Seria a bagunça geral acompanhada das piores mazelas como gente se matando, saqueando os demais. Um horror! Além do que muitos utilizariam isto pra fins políticos eleitoreiros. Aquele barbudo mesmo, caso a gente escolha o país do futebol. Já sairia dizendo: Nunca antes na história deste País, “ou çeja”, do mundo e aquele blá... blá... blá... de sempre. Tem que ser do jeito do Abraão.
— Pensando bem vocês tem razão. E aí Siddhartha (Ô nominho difícil)? Vamos tentar novamente?
— Só se o Chefe pelo menos garantir a segurança. Sem aquele papo de salvador, sacrifício na cruz. É chegar, acontecer e subir de volta rapidinho. Afinal aposentadoria é aposentadoria. Tudo bem que a gente atenda um ou outro pedidinho, mas assim não dá. Os caras aprontam tudo o que é de ruim e a gente tem que ir lá consertar?
— Vamos falar com Ele.
                                                           -o-o-o-o-o-o-o-


Tendo sido idéia de Mohamed, coube-lhe a missão. Depois de algumas tentativas, já que o Homem, sempre muito ocupado com as coisas do universo, tava meio sem tempo, conseguiu uma audiência, não sem antes receber muitas recomendações de Pedro, sobre toda a problemática cósmica.

Mohamed, objetivo como sempre, apressou-se em adentrar ao recinto Dele. Ele se encontrava consertando uma ou duas coisinhas lá nos confins galáticos, atirando raios certeiros. Entretido na tarefa, nem percebeu sua aproximação, mas, sabedor de tudo, em sua onipotência, procurou disfarçar a surpresa saudando-o informalmente.

— Algum problema?

Mohamed contou detalhadamente suas intenções e ainda, dando como exemplo essa última reunião em que tentaram e quase nada conseguiram fazer para consertar o clima,  acrescentou que, sem a ajuda divina, a humanidade estaria fadada à extinção, muito antes da época em que Ele havia determinado.

— Mas você não acha perda de tempo? Quando os dotei de livre arbítrio, já avisei. Em seguida, em virtude da separação das famílias e depois das nações, mandei diversas mensagens, às vezes através de mensageiros importantes como você. E, um pouco antes de você, mandei até meu filho. Nunca liguei para os nomes de que me chamaram, se me entendiam como sou ou como se eu fosse muitos. Nada resolveu. O que os faz pensar que essa iniciativa terá melhor resultado?

Mohamed explicou o que achava sobre o estado evolutivo humano etc.
Conversaram por mais alguns instantes e Ele fez uma última indagação:
— Já convidaram os outros
— Acreditamos que, em virtude de sermos os mais cultuados, é melhor começarmos e depois chamamos os Gurus, o Allan e o Confúcio.

Passando a mão sobre sua longa barba branca, deu aquela pensadinha típica dos que, apesar de poderosos, sabem de sua responsabilidade e determinou:
— Já que quem tem mais experiência nesse negócio de descer e subir é Jesus, começaremos por ele.
— Mas...
— Se der certo, — Continuou agora solene — a gente continua com o plano, se der errado paciência.
Entendendo o recado, Mohamed preparou-se para sair, mas recebeu uma  última recomendação:
— Avise Jesus que ele só disporá de dois milagres. Que os utilize sabiamente.

E lá se foi Mohamed, um tanto desiludido, pois estava convicto que, se levassem a cabo seu plano original, abreviariam muito mais o sofrimento humano. Mas Ele disse tá dito.

— É melhor você descer lá mesmo onde subiu.
— Mas lá quase ninguém me cultua mais.
Abraão, com a sabedoria de quem conduziu seu povo contra tudo e contra todos, vaticinou:
— Você deve descer no país em que tem mais prestígio.
— Isso mesmo. Lá terei menos dificuldades e, quem sabe, consiga um resultado que anime meu Pai a permitir a descida de vocês.
— Fica longe do barbudinho — Interpelou Siddhartha.
                                                                    -o-o-o-o-o-o-o-

Final de Março início de Abril é uma época em que os brasileiros estão mais acessíveis à palavra de Jesus, até mesmo mais do que no Natal, pois foi nessa época que o supliciaram, culminando em seu sacrifício e ressurreição, o que é lembrado todos os anos após a quaresma. Aquela quaresma em particular, em virtude das mudanças climáticas do planeta, fora bastante chuvosa. Isso parecia deixar tudo mais triste ainda. Por isso Jesus decidiu descer justamente naqueles dias e, melhor, desceu logo no maior cemitério, onde poderia dar seu recado e, para comprovar ser ele mesmo, fazer um de seus milagres, quem sabe uma ressurreição.

Pra variar o cemitério de Vila Formosa estava lotado. Em seu velório vários esquifes aguardavam o sepultamento, acompanhados de centenas, talvez milhares de pessoas que se juntavam a outras que vinham em visita a seus entes queridos já falecidos.

Aquela quinta-feira santa prometia. A chuva caia persistente, ora mais forte, ora mais fraca, mas parecia não querer cessar de jeito nenhum.

No pátio principal entre os carros estacionados, perto do vendedor de flores de repente uma grande nuvem se formou. Todos assustados, não sabendo do que se tratava, procuraram abrigo. De dentro da nuvem apareceu um homem vestindo uma túnica, mais como um grande lençol branco. Barbudo, aparentemente jovem, se dirigiu às pessoas presentes:

— Venho lhes trazer a salvação. — E começou seu discurso inflamado, procurando convencer todos da necessidade de mudança nos relacionamentos, distribuição das riquezas etc.

— Mas você devia dizer isto lá no Araçá e não aqui. — Interrompeu um guardador de carros — Aqui só tem miserável. Não temos nada pra dividir. De que igreja você é?
— Eu sou a verdade absoluta. Sou filho Dele o Criador.

Um padre que passava já gritou:
— Blasfêmia! Prove que você é quem diz ser.

Pensou um pouco e, como dispunha de apenas dois milagres, resolveu utilizar o primeiro em grande estilo e disse em voz alta, quase gritando, uma vez que uma multidão já o cercava:

— Levantem.

Um a um todos os defuntos que aguardavam o sepultamento, foram levantando de seus esquifes. Mas o resultado não foi o esperado, pois a correria se instalou. Pessoas se empurrando, querendo sair do cemitério a qualquer custo, sendo pisoteadas. A notícia se espalhou como fogo em pólvora e tudo deu errado. Jesus, não entendendo bem, pediu ao Pai que desfizesse a ca...rga negativa que, inesperadamente ele havia promovido.

Ele, compreensivo, retrocedeu o tempo em algumas horas, ao exato momento de sua descida e recomendou:
— Vê se não faz mais nenhuma! Os tempos são outros. As pessoas não entendem bem esses milagres.

Para sua segunda e derradeira tentativa, procurou um rincão cheio de problemas, e escolheu um centro de saúde dos mais necessitados: Sem médicos, daquele jeito mesmo.
Em virtude de sua última experiência desta feita chegou com a mesma aparência, mas sem muito alarde e, apropriando-se de um consultório, foi logo atendendo um tetraplégico que, pelo seu estado, se encontrava no primeiro lugar da fila, mas há mais de quatro horas.
Compadecido, como bem cabe a alguém como ele, olhou para o infeliz e solenemente disse:

— Levanta e anda.

O rapaz, como que tomando um choque, pulou da cadeira de rodas e, como nunca havia feito em sua miserável vida, saiu serelepe do consultório, esquecendo-se até de agradecer. Esqueceu até seu antigo meio de transporte.

Jesus, satisfeito com o resultado e já que a porta havia ficado entreaberta, pôs-se a escutar os comentários do outro lado:
— E aí... Mudou alguma coisa?
— Que nada... Nem me examinou... Mandou levantar e ir embora.

Os que lá estavam testemunharam um grito seguido de uma tremenda explosão:

—Mohamed! Você me paga!


quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

VERBO SUICIDAR




A COMUNICAÇÃO HUMANA, tendo como origem o empirismo, provavelmente iniciada com gestos e grunhidos, não poderia prever algumas situações inusitadas.

Uma delas é o verbo “suicidar”. A despeito de podermos conjugá-lo, tal como chover, relampejar, ventar e outros verbos impessoais, é, ao contrário, um verbo extremamente pessoal, de maneira que não podemos utilizá-lo como verbo auxiliar na segunda ou terceira pessoa:
“Vou te suicidar” ou “vos suicidarei”.

Portanto é uma conjugação, quando sem o pronome oblíquo na primeira pessoa (Me ou nos), quase inútil:
Eu suicido
Tu suicidas
Ele suicida
Nós suicidamos
Vós suicidais
Eles suicidam

Dirá o leitor: Como quase? – Pois é! Agora a pouco, lá na longínqua Suíça, uma das bases de nosso querido Papai Noel, que nos prometia como grande presente para este Natal a solução, ou pelo menos seu encaminhamento, para nossos problemas ambientais, nós, seres humanos racionais, sabedores que Kopenhagen (Que para a maioria de nós nada mais é que marca de chocolate!), apesar de longe, ainda está no planeta Terra, novamente surpreendemos o Criador conjugando-o na segunda pessoa do plural e, pior, colocando como objeto direto a própria Terra: Vamos suicidar a Terra.

Brasileiros um pouco mais antigos como eu já presenciaram esse verbo sendo conjugado nessas pessoas impossíveis. Algumas mortes de personalidades políticas ou de assessores dessas personalidades, dadas oficialmente como suicidio, ocorreram em circunstâncias muito estranhas, quase como os caras  se suicidando com dois tiros na cabeça. Cômico se não fosse trágico.

Mas lá, país de primeiro mundo onde todos, mesmo os do terceiro que lá estavam, presumivelmente líderes, incontáveis, incontestes e, agora comprovadamente, incompetentes, não esperávamos conjugação tão impessoal. Parece acharem que somente nós, pobres mortais menos favorecidos pela sorte, nascidos na metade errada do mundo, morreremos vítimas dessas aberrações climáticas, provocadas principalmente pela outra metade.

Provavelmente não existente nas línguas nórdicas, extremamente guturais (pronunciadas por sons saídos diretamente da garganta, quase urros e grunhidos sem consoantes) e inflexíveis, esta análise sintática foi esquecida pelos latinos que lá estiveram, até porque quem falou alguma coisa relevante, o fez de maneira populista, sem compromisso com a factibilidade, portanto falando pelos cotovelos.
Esquecemos-nos da maior de todas as premissas, mais que humana: Biológica, que nos é ensinada desde que somos concebidos (Quiçá até em nossa memória genética) “Só a vida garante a existência, racional ou não”.

A água suíça deve estar correndo morro acima e o fogo descendo morro abaixo (O pleonasmo redundante é de propósito).

Será que os americanos nos passaram a perna de novo utilizando aquele grande teatro mundial apenas para promoverem o desenho animado do Jorge, aquele mesmo das “Navonas” que, quando começavam a passar na tela, de tão grandes que eram a gente até cochilava?

Será!!!?

Responderia Shakespeare, com outra indagação: - Maybe or may be?

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

O TEMPO NÃO PÁRA - AINDA BEM!


ANTIGAMENTE, mas não muito, eu, quando via as decorações típicas do Natal, ficava excitado, na expectativa da compra de presentes e conseqüente entrega em uma noite que seria muito alegre, repleta de familiares, com muitos risos e manifestações de afeto.


Ultimamente só tenho conseguido pensar na velocidade, cada vez maior, com que essas decorações tem acontecido. Chego a quase afirmar que, em virtude da voracidade comercial, o natal está se repetindo duas vezes por ano.
Nem bem dizemos “feliz ano novo”, e os blocos carnavalescos já estão na rua anunciando com uma felicidade inexplicável, a chegada do final do ano.

Principalmente no Brasil a coisa é bem assim: Ano novo, carnaval, páscoa, férias, um monte de feriados (independência, república, Nossa Senhora) e natal/ano novo de novo.

Quer dizer, depois do carnaval, quando terminam as férias, meia dúzia de eventos nos leva diretamente ao abismo do envelhecimento (ainda bem!).

Dia desses, interpelado por meu filho, que lembrava de sua infância, quando os amigos eram realmente importantes, a ponto de mantê-los até hoje, começamos a filosofar sobre o assunto. Coincidentemente recebi uma mensagem eletrônica por esses dias que falava sobre a mesma coisa. Mencionava que nosso cérebro percebe o tempo de acordo com os eventos externos: Caso sejamos encerrados durante algum tempo em uma sala de cor branca e sem nenhum objeto, rapidamente perdemos a noção do tempo. Dessa maneira aquele e-mail terminava aconselhando-nos a quebrar nossas rotinas continuamente, com o objetivo de sentirmos o tempo e mantermos nosso cérebro em constante atividade, a fim de absorver situações inesperadas.

Ocorre que a própria humanidade procura a rotina, pois é ela que nos dá a sensação de segurança e continuidade.

Não, tempo, não zombarás de minhas mudanças!
As pirâmides que novamente construíste
Não me parecem novas, nem estranhas;
Apenas as mesmas com novas vestimentas


Willian Shakespeare (1554-1616)

Podemos observar que Shakespeare, mesmo tendo morrido aos 62 anos, jovem para os padrões atuais, percebeu a importância das duas coisas: a rotina, que nos dá segurança e a necessidade constante de nos rebelarmos contra ela. Provavelmente ali estivesse o segredo de sua criatividade e presença de espírito que nos legou textos discutidos e encenados até nossos dias; provavelmente, desafiando o inexorável, fiquem para a eternidade.

Particularmente descobri que escrevendo, tenho conseguido ser mais disciplinado, uma vez que me comprometi a escrever constantemente (olha aí a rotina). Por outro lado, tendo que interessar meus leitores, procuro falar sobre assuntos diversos, me induzindo a pesquisas cada vez mais aprofundadas (olha aí as mudanças). Se receber um elogio então (ás vezes até só um “li seu artigo”), volta-me a sensação da qual falei no início.

O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.


Fernando Sabino (1923-2004)

A partir deste pensamento de nosso contemporâneo Fernando Sabino, chego à conclusão que a rotina serve para valorizarmos os momentos especiais que, à medida que envelhecemos e nos enriquecemos com mais experiências, vão ficando cada vez mais raros. Na mesma medida essa raridade tende a torná-los cada vez mais importantes. Evidentemente o Natal, uma vez que cada vez mais está ligado muito mais ao movimento de “rebanho” ao qual as “elites” procuram nos conduzir a fim de encobrir a absoluta miséria imposta a grande parte de nossos semelhantes, tende a perder totalmente o encanto (acho que já perdeu). Devemos levar isso em conta para tirá-lo de nossa lista de eventos importantes, caso queiramos nos “sentir vivos”.

Em virtude da tecnologia, hoje em dia o registro histórico é muito mais preciso. No entanto parece que, necessitados de novidades, não lhe damos a menor importância. Esse registro, que outrora servia para nos transmitir experiências novas, acaba não servindo para nada, já que, seguindo a mesma lógica, a notícia também envelhece.

No mais, já que até peido de boi pode nos matar, o jeito é pensar melhor se estamos valorizando devidamente cada momento de nossas curtas vidas.

Ainda bem, pois já pensaram em um desses políticos brasileiros com 200 anos? Certamente se tornaria “imperador absoluto ou quem sabe até Deus”. A providência é sábia!

Para não parecer pessimista, seguem meus votos de um FELIZ NATAL.



quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

EM TRÂNSITO OU EM TRANSE TÔ?


DIA desses tive de ir até o quilômetro 13 da Via Anhanguera, importante estrada de São Paulo, coisa de 30 quilômetros de minha casa. Para a cidade de São Paulo esta não é uma distância muito grande, mas, hoje em dia, com o acúmulo de veículos, está se tornando quase intransponível.
Levei mais de hora e meia pra chegar a meu destino, que, considerando meu caminho ser através de vias expressas, tornou a tarefa uma odisséia digna de Ulisses ou Camões.

Não sei se conseguiremos manter o crescimento esperado para nosso país, sobretudo se baseado, como hoje o é, na produção de automóveis e caminhões. Tenho notícias que dão conta que as principais cidades brasileiras padecem do mesmo problema. Não sei onde vamos parar, quer dizer, não sei como iremos andar.

Nesta “viagem” que fiz pude observar novamente algumas coisas que, apesar de campanhas educativas, cursos de direção defensiva, inteligente etc. não dão o resultado esperado.

Quando o engarrafamento começa a inteligência termina e diversas barbaridades acontecem (Com todo respeito aos bárbaros). As relações ficam tão ruins que é difícil até explicar.

Por exemplo, se um veículo está quebrado só nos cabe desviar do mesmo.
ERRADO, pois existem alguns motoristas que acham ser possível passar por cima dele ou, quem sabe até atravessá-lo igualzinho ao tele transportador do Capitão James Kirk do seriado Jornada nas Estrelas. Param atrás daquele veículo e ficam buzinando freneticamente. Quer dizer: Acham que o cara “está de sacanagem” e, os que estão mais atrás ainda, acompanhando o imbecil e inflando-se de burrice, montam em suas buzinas, também achando que todo mundo que está à sua frente deliberadamente não quer andar. Invariavelmente, quando vão passando pelo veículo avariado, ficam com aquele “ar de idiota”. Quase sempre olham para o outro lado como que dizendo: Não fui eu.

Quando participamos do curso que nos habilita a dirigir, recebemos um livrinho no qual, quase como artigo primeiro, parágrafo único, é mencionado o fato de que precisamos estar atentos a tudo que acontece à nossa volta e eu, “quase perfeito”, procuro praticar esse ensinamento o tempo todo.

Nesse mesmo dia, no percurso de retorno, na marginal do Rio Pinheiros, importante via de São Paulo, o trânsito seguia aos 60 km/h e, a despeito desses filmes que equipam os automóveis estarem cada vez mais escuros, ficando quase impossível a gente ver alguma coisa através deles, observei, dois ou três carros à minha frente, que outro veículo tentava sair de uma baia, dessas que servem como área de escape, caso tenhamos algum problema que nos obrigue a parar.

Vendo a situação difícil daquele motorista, pus a mão esquerda pra fora indicando ao veículo de trás que iria diminuir a velocidade a fim de abrir algum espaço para sua saída. Até aí tudo bem, pois o espaço realmente se abriu e o cara conseguiu retornar ao fluxo normal.

O que se seguiu é que foi inusitado:
O cara da frente me acenou em agradecimento ao que prontamente respondi com outro aceno. Em ato contínuo acenei para o cara de trás, e, uma mulher já idosa que seguia ao meu lado direito acenou para mim, como se me conhecesse.
Já o motorista do veículo que me seguia inesperadamente acenou-me com o dedo em riste, me “mandando fazer algo obsceno”. Preferi não responder.


Quer dizer: Algo de insano acontece com a minoria das pessoas que estão no trânsito de São Paulo, mas que facilmente contamina as outras, levando-nos todos, mais uma vez em movimento de rebanho, para o brejo.
Só não vamos porque estamos literalmente parados no maior estacionamento do mundo.

Qualquer dia desses sairemos com nosso carro da garagem e seguiremos a pé até nosso destino.

Catastroficamente, esse dia está muito próximo.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

A SEGUNDA VEZ




















TODOS NÓS sem exceção temos lembranças de muitos acontecimentos marcantes em nossas vidas, na maioria das vezes em função da emoção envolvida: O primeiro amor, o primeiro beijo, a primeira transa, o primeiro casamento, o primeiro filho, um “quase acidente fatal”, já que, se fosse fatal, obviamente não estaríamos aqui para descrevê-lo e tantas outras coisas.
No entanto existem acontecimentos que ficam na memória de todos que estão vivos naquela oportunidade, mas que os remetem a lembranças diversas: O que você estava fazendo quando...

- Estourou a segunda guerra mundial,
- O Brasil chegou ao tri campeonato mundial de futebol,
- Aconteceu o ataque às torres gêmeas em NY,
- E o campeão de todos aqui no Brasil: O dia em que o Airton Senna Morreu, entre outros.

O interessante é que essas lembranças não são necessariamente maiores ou menores de acordo com qualquer parâmetro histórico, o que me parece que deveria acontecer. São mais ou menos importantes de acordo com: Surpresa, emoção, satisfação de expectativas ou até, como aconteceu com o tri, quando somos tratados como gado, levados a acreditar que a Pátria pode calçar chuteiras e o futebol pode ser a redenção do país do futuro.

Muitos jovens (espero) que estão lendo este texto, nem se lembram do “11 de Setembro”. Para nós cinquentões parece que foi ontem e está bem vivo em nossa memória, prova de que a consciência da importância do fato, no momento da ocorrência, também faz parte da memorização.

Acho até que outros acontecimentos deveriam fazer parte dessa memória coletiva:
- A morte de Tancredo Neves (Que na época trouxe grande comoção nacional),
- A promulgação da Constituição Brasileira de 1988,
- A queda do Muro de Berlim, que marcou a “vitória dos bons americanos contra os maus soviéticos”,e tanta coisa mais.
Afirmo ainda existirem fatos que, apesar de terem ocorrido recentemente com muita pompa e cobertura maciça da imprensa mundial, já abandonaram inexoravelmente nossas memórias, como é o caso da morte do cantor Michael Jackson.

Dia desses, querendo me livrar do calor que tem assolado minha Sampa, entrei em uma dessas lojas que vendem de quase tudo, a procura de um ventilador de teto para meu quarto de dormir, que há muito tempo vinha namorando ora pela internet, ora pelos anúncios da TV e dos jornais. Tinha em mente um com controle remoto, de maneira que não precisasse passar fios por conduites que parecem ter sido feitos em volta da fiação elétrica, ou pelo menos foram embutidos nas paredes já com os fios dentro deles.

Claro que esse controle remoto viria se juntar a tantos outros (TV, DVD, telefone sem fio, TV a cabo) me poupando do “esforço que seria” me levantar para ligar ou desligar o aparelho.

Como tive de esperar o vendedor ir buscar o ventilador e o controle remoto, que são separados, cabendo-me sua instalação de acordo com um manual que viria junto, fiquei atento à loja e pude constatar que eles vendem de tudo mesmo: De panelas a fogões, de chaves de fenda a serras elétricas etc. Chamou-me a atenção a maioria dos objetos à venda serem elétricos ou voltados para utilização de energia elétrica: Benjamins, tomadas etc.

Ao meu lado um rapaz verificava um barbeador elétrico e o vendedor fazia seu trabalho:
- O preço está ótimo, tem três cabeças que se acomodam à sua face (Sua cara fica igual a bumbum de nenem), é recarregável, de maneira que você possa fazer a barba até no carro (E pode ligar no acendedor de cigarros). Olha que cor “maneira”: prata, a cor da moda. Que cor é seu carro? Preto? Combina perfeitamente.

E seguia o malho quando o vendedor que me atendia chegou com os dois volumes.
Passei no caixa e sai satisfeito com minha aquisição já que finalmente me livraria do calor e ainda de quebra não precisaria mais me levantar de minha cama nem para apagar a luz que, como diz o Ubaldo, na minha idade já está se tornando modalidade olímpica. Estou quase aderindo ao carro automático com direção hidráulica, piloto automático, guia virtual etc.

Naquele dia o calor, parecendo querer justificar minha compra, estava infernal.

Chegando em casa lá pelas seis da tarde me pus na tarefa de instalar meu sonho de consumo. Tinha que ligar um relê que o manual informava estar no ventilador e na prática estava em minhas mãos o que me levou à internet onde soube que outro relê como aquele tinha explodido, quase ateando fogo à casa do igualmente a mim desafortunado ignorante eletro-eletrônico. Isso tornou minha tarefa bem mais difícil e preocupante.

Resolvi fazer algumas gambiarras para fazer testes antes da instalação definitiva utilizando vários fios que haviam sobrado de outra empreitada. Lá pelas dez e tanto eu, emaranhado naquele monte de fios, preparando-me para ligar o aparelho em uma tomada, fui surpreendido por uma falta repentina de luz. Assustado pensei:- Mas como? Se ainda nem liguei esta merda.

Olhando pela janela vi que se tratava de coisa muito maior, pois, até onde minha vista alcançava, estava tudo na mais completa escuridão.

Começamos eu e minha familia a conversar sobre a falta de investimento em infra-estrutura, mal que, independentemente de quem está no poder, sempre acompanhou nosso país e tanta coisa que poderia ter ocorrido para aquele apagão acontecer. Ouvia as rádios falando em falta de energia elétrica em metade do país e ainda em 90% do Paraguai que hoje, em função de sua sociedade em Itaipu, encontra-se visceralmente “ligado a nós brasileiros”.

Lembrei-me também daquele rapaz que, provavelmente convencido pelo excelente vendedor, adquiriu o barbeador. Que susto teria levado se estivesse acabando de ligar o aparelho quando a luz apagou.

Hoje, mais de uma semana depois do ocorrido, com o governo recorrendo até aos esotéricos para tentar descobrir o que aconteceu, fico pensando: Se alguém descobre meu ventilador ou o barbeador do rapaz, é capaz de sermos responsabilizados e, quando alguém for ao nosso proto líder indagá-lo a respeito do assunto certamente receberá como resposta:

-Vê se eu faço barba?

É... O segundo apagão a gente nunca esquece!

terça-feira, 10 de novembro de 2009

FAZER A DIFERENÇA



Quando resolvi escrever, além de crônicas tinha em mente comparar efemérides, sobretudo históricas, já que pessoas da minha idade (mais de meio século), já podem se considerar agentes históricos.

Uma das mais importantes que agora em 2009 comemora 20 anos é a queda do muro de Berlin, alcunhado de “o muro da vergonha”.

Concordo plenamente com o apelido, já que, por mais que me esforce, quando olho a terra através das tais fotografias citadas por Caetano, não consigo visualizar nenhuma das fronteiras erigidas por nós, seres humanos, a não ser a inútil muralha da China. No entanto não entendo muito bem a comemoração da derrubada daquele, como sendo um marco positivo da humanidade se hoje em dia estamos diante de outro, muito mais alto e intransponível, que é o muro da Faixa de Gaza. Os judeus, que tanto sofreram na segunda guerra e, pela existência daquela imbecilidade, no pós guerra também, hoje cometem o mesmo erro.

Na verdade o muro já vinha sendo demolido a partir da perestroika (reconstrução) e glasnost (abertura) promovida por Mikhail Serguéievich Gorbatchev, ou simplesmente o conhecido Gorbachov, socialista convicto que julgava ser possível uma democracia capitalista associada às idéias de Marx. Mesmo não tendo conseguido levar a cabo seu intento, pois não contava com a resistência dos oligarcas e mafiosos da época, além do povo, como gado que é, achar melhor entrar em uma fila para receber o pão, desde que, no final da fila, exista um pão, Gorbachov com suas idéias propiciou a derrubada da cortina de ferro, ainda que às custas da derrota simbólica para o capitalismo selvagem, que tanto Marx combatia.

Naquele mesmo ano, em campanha à presidência da república de um país do hemisfério sul, um barbudo de fala rude e de difícil compreensão, copiando o já demodê El Comandante Fidel, participava de debate político com um principesco lord, digno das grandes estirpes inglesas, vestido a caráter do simbolismo necessário a uma possível eleição para substituir outro, não menos nobre bigodudo, que tinha levado aquela nação à banca rota, com uma inimaginável inflação de 80% ao mês. O primeiro prometia acabar com a fome do nordeste, o segundo iria caçar os “marajás” (que o primeiro ironizava com um humor duvidoso, dizendo serem maracujás) e o terceiro, na primeira fila, ria-se, esperando sua próxima eleição ao senado da república ou como governador de algum estado de seu oligopólio.

Estava em um de meus passatempos preferidos sentado em meu trono matinal, às voltas com palavras cruzadas quando me deparei com a seguinte definição: O que moveu Tiradentes, com um espaço para cinco letras. Crítico até nas melhores horas pensei: não pode ser “ideal” (e era).
O que fez nosso querido protomártir Joaquim arriscar sua reputação, já que se tratava de um alferes das forças portuguesas (hoje um primeiro tenente) e finalmente perder sua vida, foi o fato de Portugal com o movimento chamado de derrama, exigir que Minas Gerais completassem os 1500 quilos de ouro anuais devidos à coroa. Claro que estava amparado pela elite mineira que, assim que a coisa apertou, fez um acôrdo com o governo central e “tirou o pé”, ou o “c. da seringa”, deixando-o e a seus comandados ao sabor das ondas.

Por isso afirmo: O que move as revoluções, quer do pensar, ou de comportamento, é a necessidade mais rasteira que estiver ao alcance do descontente de plantão.

Pode acontecer dessas necessidades coincidirem com a distribuição de algumas migalhas ou até de riquezas maiores, como aconteceu nos EUA, quando os colonizadores, fugindo de situação muito desfavorável, vinham para se estabelecer, matando a quem quer que fosse: Nativos, desafetos, animais, florestas, sub solo etc., desde que sua fixação fosse proveitosa para suas futuras gerações, que não precisariam continuar em fuga.

A perestroika não foi muito diferente pois já não havia condições da URSS sustentar o império e a conveniente queda do muro apenas dividiu o bolo e a miséria. Ironicamente pode ser que hoje, seguindo as regras da natureza humana, hajam pessoas dos dois lados com saudades daquela fronteira, devidamente caladas pelo sistema vigente.

Talvez os verdadeiros idealistas sejam aqueles cujo o proveito de suas memórias apenas se deem após sua morte como é o caso de Raul Seixas que no dia 12 de Julho daquele ano concedia ao Jô sua última entrevista em vida (existem bichos-grilos que juram conversar com ele até hoje). Falou sobre sua “sociedade alternativa” que, apesar de ser simplesmente uma música, o obrigou a sair do país exilado em 1974. Foi para Nova Yorque sendo lá acolhido por John Lennon. Acabou comendo lixo na rua, a convite de um palhaço. Mas como ele mesmo disse: “Lixo americano é outra coisa”.

Em que pese todos esses personagens, alguns vivos, inegavelmente fazerem parte da história, podemos afirmar que Mikhail, Joaquim e Rauzito nela ficarão, já os outros...

Não é curioso que até um músico, que apesar de muito inteligente sempre foi totalmente desprovido de maiores aspirações tais como derrubada de muros ou mudanças radicais (a não ser a da cerveja para a “mardita”), sobrepuje figuras tão ilustres, antes inimigas vicerais e hoje, em nome do bom relacionamento político, abraçadas e sorridentes?

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

TRANSPARÊNCIA


Pelo menos duas vezes por mês vou a uma agência bancária pertencente a um desses conglomerados que veem se formando nos últimos tempos. Aliás não dá pra entender muito bem o objetivo desses monopólios. Acontece que, como às vezes tenho que ficar por muito tempo dentro do estabelecimento, acabo lendo todas as propagandas e prospectos. Numa dessas seções de leitura me deparei com um gráfico complicado, coisa de marqueteiro europeu, onde os caras tentavam dar um significado melhor à sacanagem que é o sistema bancário, com seus juros exorbitantes etc. No final do cartaz que estava afixado na parede bem atrás do gerente estava escrito em letras “caixa alta”: FOCO NO FOCO DO CLIENTE. Certamente uma tradução infeliz de um copista brasileiro, ou até de um baita gozador.

Outro dia ouvi de um amigo que vive viajando pelo mundo que, na maioria dos países europeus, sobretudo nas grandes cidades, as pessoas olham-se como se fossem transparentes, ou seja, dificilmente consegue-se um “olho no olho”. Aí pude entender o "gancho" daquela propaganda, que em nossa língua me pareceu de duplo sentido.

Nesta época em que a palavra transparência está na moda, mais uma vez recorri aos léxicos com o objetivo de entendê-la de uma forma mais abrangente. Claro que intuitivamente já sabia que esta transparência da moda tenta dar sentido às aberrações político-financeiras e desmandos generalizados de que quase todo o poder público faz uso, como se o cargo desse ao afortunado o direito divino de escolher o que é bom ou ruim para a população sem dar satisfação (até rimou!).

Lendo uma reportagem do jornalista Bruno Paes Manso, publicada no Estadão em seu caderno de cidades, novamente apareceu a transparência a que meu amigo se referia, pois tratava-se de uma pequena vila no bairro de Pinheiros junto à qual se cogita construir um estacionamento de cinco pisos. A grita foi geral: Com muita justiça os moradores da pacata e rara vilinha, querem que a incorporadora aborte o empreendimento que vai tirar-lhes o sossêgo. Um desses moradores, arquiteto renomado, responsável por vários projetos de grandes construtoras aqui mesmo em São Paulo, disse: “Somos invisíveis”

A mesma reportagem citava que esta frase foi ouvida em outro despejo, que aconteceu em uma favela da Avenida Roberto Marinho, antiga Águas Espraiadas (O metro linear de via pública mais caro de que se tem notícia: 50 mil reais). Um morador desolado e sem ter para onde ir usou a mesma “transparência” que os deixava “invisíveis”, aos olhos das grandes corporações.

O despejo dessa favela aconteceu em minutos, com grande estardalhaço e derrubada impiedosa das moradias que antes se encontravam à beira de um riacho sem muita importância. Agora perto de uma grande rede de televisão, à beira de uma avenida que pretende se tornar importante, pois, começando numa ponte que serve de cenário para essa mesma emissora, até agora está sub utilizada. Já estão desapropriando outras favelas, mais acima do mesmo riacho, e ela finalmente será útil nesta São Paulo de trânsito caótico.

Em sua reportagem, Bruno, não sei se de propósito quando mencionou o despejo da avenida, me levou a comparar as duas situações.

Atentando para os moradores daquela vilinha que são pessoas bem mais abastadas e informadas do que aqueles desafortunados da avenida, em que pese a necessidade de grandes empreendimentos, passo a duvidar se os primeiros serão prejudicados, já que varios processos estão sendo impetrados contestando a construção do estacionamento, com direito inclusive a reportagem de página inteira no Estadão.

O artigo primeiro de nossa constituição diz que todos somos iguais perante a lei, mas como é sobejamente conhecido “alguns são mais iguais”.

Apesar de não constarem em nenhuma constuituição do mundo como direitos ou deveres, acabo de descobrir que “transparência” e “invisibilidade” são instituições informais convenientemente aplicadas de acordo com a posição socio econômica, interesses corporativos e do poder e quem sabe até pela “cor dos olhos”.
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