FINALMENTE DECIDI ESCREVER

BEM VINDOS

ESCREVER É MUITO BOM, MAS SABER SER LIDO, É MUITO MELHOR

HOMENAGEM

Aos amigos que, mesmo sendo grama, sempre compartilham o cardápio.

Seguidores

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

DESPEDIDAS

Quando eu era bem pequeno, antes dos dez anos de idade, morei em dois bairros da capital paulista. Na primeira mudança que me lembro, aos seis ou sete anos, tudo aconteceu como se fosse uma festa, sobretudo porque morávamos em uma pequena edícula, que constava de dois minúsculos cômodos onde, quando meu pai adquiriu nosso primeiro fogão a gaz, tudo ficou muito apertado, o que dá uma idéia do tamanho da residência. Outro fato que não deixou saudades do lugar era que minha avó materna tinha falecido quando ainda morávamos lá e seu velório, o primeiro do qual participei, tinha sido naquela pequena casa. Para completar tínhamos uma vizinha que descontava suas frustrações destruindo as plantas que minha mãe colocala em cima do muro que dividia as duas casas. As brigas eram tão constantes que o nome dessa mulher virou sinônimo de pessoa ruim durante toda a nossa vida, inclusive de meus irmãos mais novos que sequer conheceram-na ou moraram naquela casa. Até hoje tudo que nos fazem de ruim é “coisa da Margarida”, que era seu nome.

Já a segunda mudança foi muito dura, pois nossa moradia, que era um apartamento bem perto do centro comercial de Santo Amaro, um bairro da Zona Sul de São Paulo, apesar de ser alugada, era como se fosse nossa uma vez que lá chegamos inaugurando o prédio. Dessa maneira nos sentíamos muito seguros naquele lugar e, para as crianças de uma maneria geral, esse tipo de segurança é muito importante.
No meu caso a sensação foi de perda total: Amigos, escola, o primeiro amor, a continuidade do ano letivo, as brincadeiras à beira do Rio Pinheiros que, apesar de já muito poluído àquela época, servía-nos de área de lazer sem fronteiras, tão características hoje em dia.
Eu e meus amigos saíamos pela manhã, ou logo depois de chegarmos da escola, e só voltávamos pra casa já com noite feita. Nossas mães ralhavam apenas por não termos tomado banho ou nos atrazado para o jantar. Não me lembro de ocasião em que minha segurança tenha sido questionada. Quanta diferença!!

Uma curiosidade é que voltamos praticamente para o mesmo bairro de onde havíamos saído em nossa primeira mudança, mas, pra mim, e hoje sei que também para minha mãe e meus irmãos, foi uma das maiores tristezas e frustrações de nossas vidas.

Conciente das distâncias que separam aqueles lugares: dez, doze quilômetros, hoje sei que não precisaria ser tão dramático assim. No entanto sempre que passo pelo lugar sinto-me nostálgico com a mesma sensação que tive na ocasião.

Recentemente recebi mensagem eletrônica na qual enviaram-me diversas fotos de nosso planeta tiradas lá da extratosfera.
Podemos ver nessas fotografias tão bem reportadas por Caetano Veloso em sua obra “Terra”, países e mares a um só olhar e, como disse Toquinho “de uma América à outra irmos em apenas um segundo”. Elas mostram-nos, em nossa "pequenês humana", que a despedida pode ser triste, independentemente da distância, que sempre será relativa.
Se parármos em uma estação rodoviária podemos, sem muito esforço observar essa tristeza a todo momento:
Um pai deixa os filhos para ir trabalhar em outra cidade, ou uma avó que veio visitar os filhos e netos e está de volta pra casa, por achar-se mais próxima da eternidade que da vida, segue com a sensação de que nunca mais vai vê-los; um filho sai para trabalhar ou estudar em outra cidade e, nunca tendo deixado sua casa, a não ser em alguma viagem de recreio, não sabe se voltará, pois, com o aumento da disputa por empregos, a tendência é cada vez mais nos tornarmos nômades. Enfim despedidas são sempre suscetíveis de serem as últimas e a distância apenas exacerba essa sensação.

Afortunadamente, a despeito de meus “ais”, eu nasci e me criei nesta cidade de São Paulo, tendo saído daqui em pouquíssimas ocasiões, a maioria delas a passeio e pouco sei de grandes despedidas. Meu pai no entanto era de Salvador, capital baiana de tantas histórias e folclores. De lá saiu e veio aportar nesta cidade que, já naquela época, 1952, era muito grande e agitada. Aqui chegou praticamente com a roupa do corpo.
Juntamente com minha mãe, que encontrou por aqui egressa do interior de São Paulo, filha de imigrantes italianos também fugidos da miséria provocada pela primeira guerra mundial, ela mesma fugida do trabalho semi-escravo ao qual ela, meus tios e meus avós foram submetidos em plantações de café, formou familia criando sete filhos.

Quantas despedidas, a maioria provocada pela miséria humana, poderíamos enumerar.

Um dia desses eu ouvi de um amigo que nada é mais triste do que sair de um porto, a bordo de um navio, para provavelmente nunca mais voltar.
Ele me disse que saiu de sua terra aos vinte e tantos anos e viu o lugar onde nasceu e que tanto amava, ficando para tráz, bem devagar, quase como um devaneio.
Entre milhares de pessoas, seus familiares agitavam lenços brancos, previamente preparados e ensaiados, num triste balé, na vã e desesperada tentativa de que ele pudesse vê-los uma última vêz, no meio daquele mar de acenos.
Trabalhando com turismo, retornou em diversas ocasiões mas essa lembrança ficou marcada de tal maneira que ele me garante: Se existir alma, é lá que ela está.

A característica humana que mais nos difere dos outros animais, colocando-nos no topo da cadeia evolutiva, além da inteligência (inteligência?) é o nomadismo associado à nossa grande adaptabilidade.

No entanto convenhamos: É duro ir embora.

sábado, 19 de setembro de 2009

MEGA SENA - UM ETERNO QUASE

OUTRO DIA ouvi alguém dizendo: Isso é língua de mosquito. Curioso que sou, assim que pude, a despeito de lembrar-me das lições de botânica e zoologia que tive na primeira série do ginásio, ministradas por um professor sizudo que informava que os mosquitos não têm bôca e sim PROSBÓCIDE, sim com essa ênfase, sobretudo por ser uma proparoxítona que, em sua essência já tem ênfase; corri ao computador, essa maravilha que tenho oportunidade de conhecer e utilizar e que nos coloca em contato com quase todos os registros de informação humana (que um dia certamente terá a totalidade), e fui relembrar como a “bôca” dos mosquitos funcionam. Claro que novamente me deparei com a prosbócide que, mesmo tendo passado tantos anos, ainda é a única coisa que mosquito tem por onde comer e não consta que tenha língua.

Claro que a curiosidade foi o que me moveu à pesquisa, pois sabemos que aquele dito é uma ironia, referindo-se a alguma coisa que não existe ou que é difícil de se encontrar. Aí então comecei a esmiuçar outros ditos, que utilizamos com a mesma finalidade: Cabeça de bacalhau – Realmente nunca vi uma. Claro que, neste caso, a gente sabe que, do infeliz peixe que caiu nas rêdes da humanidade faminta, quando foi salgado, foi-lhe retirada a cabeça, talvez pela vergonha de continuar fitando aqueles olhos-de-peixe-morto que nos induzem a nos tornarmos vegetarianos. Aliás acho que todos nós, se tivermos tempo, um dia pararemos de beber, de fumar, teremos câncer, seremos vegetarianos, homossexuais e religiosos (não necessariamente nessa ordem).Outra informação: O consumo deste peixe tal como hoje ( salgado ), acontece desde 2400 AC, na Mesopotâmia, Talvez também desde lá se utilize o dito.

Mais facil a vaca cuspir – Acontece que a vaca baba mas não cospe e dizemos isso como uma descompustura à bichinha, como se fôssemos detentores das boas maneiras universais. O jeito era chegar um ET melecoso, mas superdotado de inteligência superior, para finalmente, quem sabe, ela, a vaca, obter seu lugar de direito e estirpe no mundo animal. Mosca branca - A mosca-branca é uma das pragas mais conhecidas no mundo e está presente em praticamente todas as regiões agrícolas. Tecnicamente não se trata de uma mosca, pois é um hemíptero, mesma ordem dos pulgões e percevejos, e não díptero que é a ordem das moscas comuns. Uma regra prática para não confundir é o número de asas: hemípteros têm quatro asas enquanto que dípteros têm duas. Ainda utilizamos o termo para identificar coisas quase impossíveis, no entanto podemos ver que já não são tão raras assim. Poderíamos utilizar o dito para os políticos desonestos. Pelo menos antigamente achávamos que eles eram minoria e hoje...

Achar pelo em ovo – Sempre que tentamos impedir ou atrapalhar ações ou iniciativas, estamos caçando os famosos pelos, é dito muito popular em nossos parlamentos onde os congressistas procuram impedir votações que não lhes interessem ou vetem-lhes vantagens e outros quetais. Este dito tem seu correspondente em inglês: “always nitpicking”, talvez pelos parlamentos serem bem parecidos.

Gostaria de incluir um que ainda não foi colocado com o mesmo objetivo mas, tirando uma ou duas tragédias e um ou outro infortúnio, pergunto: Quem conhece algum ganhador da Mega Sena? Ou ainda alguém que conhece alguém que conhece...?

Os organizadores, aí entenda-se o governo, dizem que os nomes não são divulgados por questões de segurança, privacidade etc., mas façamos alguns exercícios de aritmética simples:

-Digamos que cada um de nós, maiores de dezoito anos, conheçamos 100 pessoas ( me parece
razoável e subestimado como média ).
-Cortemos ainda, para efeito de cálculo, este número pela metade, supondo que varios de nós conheçamos coincidentemente as mesmas pessoas.
-Teremos 50 pessoas que conhecemos e que nossos amigos não conhecem e assim sucessivamente os amigos dos amigos etc.
-Entre 50 pessoas me parece impossível manter uma notícia de ganho na mega sena em segredo. Mas, como canja ainda dou apenas 10 por cento dos sorteios como suscetíveis de vazamento dessas informações. Portanto, se estamos no concurso número (aproximado) 1500, seriam 150 chances de sabermos de algo ou alguém, segundo a conta final abaixo.

Considerando ainda que não é difícil sabermos pelo boca a boca uma notícia que uma quinta pessoa contou para um amigo que contou para o amigo... até chegar em nós, sobretudo uma notícia desse porte. – Como exemplo dou tantas tragédias e mortes violentas que infelizmente acontecem diariamente entre nós e que ficamos sabendo dessa maneira. Ou mesmo outras amenidades como um jogador de futebol, filho de algum amigo do amigo, que está no exterior etc.
Teríamos aí o número 50 elevado à quinta potência multiplicado por 150, como a chance de termos notícia de um dos ganhadores desse jogo. Se algum matemático de plantão ler esse artigo, espero que me corrija, desde que não discutamos as subjetividades aventadas acima.

A conta chegou a 312.500.000 X 150 – (Vocês mesmos façam a conta).

Portanto acho mais fácil a gente conhecer alguém que conhece alguém... que ganhou na mega, do que propriamente ganhar a bolada, pois, segundo o verso do volante de apostas, com um jogo de seis números, a chance é de 1/50.000.000.

Mais uma curiosidade: Praticamente todos nós já cercamos, cercamos, e quase ganhamos!

Como seria o dito:

MAIS FACIL ENCONTRAR O GANHADOR DA MEGA

O QUE? ACHOU O MEGA MILIONÁRIO?

MEGA SENA=MEGA TROUXA

MAIS FACIL ENCONTRAR O AMIGO DO AMIGO DO AMIGO DO GANHADOR DA MEGA É...Também acho todos eles muito compridos. Aceito sugestões e façamos o seguinte:
Continuamos a jogar e não se fala mais nisso, afinal é um jogo insuspeito.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

BRECHÓ - A SOLUÇÃO DO MUNDO

UM DIA desses tive que ir até a Vila Mariana e, por atualmente ser quase impossível estacionarmos nossos carros nas ruas de São Paulo, principalmente em bairros perto do centro da cidade, tive que procurar um local um tanto longe do meu destino.
Por conta disso tive que caminhar por mais de um quilômetro. Pude então antever o calvário pelo qual passaremos quando ficarmos mais velhos e trôpegos, ainda que não tenhamos nenhum problema mais grave, além da velhice, é claro: As calçadas de nossa cidade estão muito erodidas (eu disse erodidas). Parece até que os prefeitos e outras autoridades competentes, além dos proprietários dos imóveis, corresponsáveis por essas manutenções, teimam em não cumprir, mais que a lei, uma obrigação social, como se todos só andássemos de carro.

Caminhando pude constatar outra observação que já tinha feito em varios bairros da capital, como Pinheiros, Moóca, Santo Amaro, Penha, Brás etc.: Quase todas as casas situadas em avenidas ou ruas um pouco mais movimentadas estão transformadas em pequenos comércios. Por vezes esses minúsculos estabelecimentos ocupam apenas as antigas garagens, mas , em alguns casos, utilizam todas as dependências do imóvel.
Afirmo ainda que esses pequenos negócios não são privilégio de nossa cidade, pois , em viagens de férias que fiz a algumas capitais brasileiras constatei o mesmo fenômeno.

Roda de cerveja é o lugar que nos fornece lucidez suficiente para resolver e digerir, quase sem passar mal, todos os problemas socioeconômicos, ambientais, de segurança pública etc., não só de nosso país, como também de todo o universo, assim acabo dando razão ao nosso proto-líder por manter-se etílicamente concentrado na medida em que seus “companheiros”, brincalhões como são, só o levam a serio desse jeito.
Principalmente nessas rodas venho debatendo há muito tempo que “o emprego, formal ou não, acabou”. Pelo menos aquele que possa dar ao empregado e sua familia uma vida com um mínimo de dignidade (aí incluídos: diversão, bem estar familiar, tranquilidade etc.). Claro que excluo os empregos que dependem do famoso “QI” (Quem indicou), bem como os do PDS (Parentes do Sarney).
Talvez aí esteja a explicação para o fenômeno que relatei no início.

Alguns desses pequenos negócios, dado o pequeno aporte de capital necessário para seu estabelecimento, são recorrentes: Pet Shops, cabeleireiros, produtos de limpeza, pequenos bares que se assemelham às mercearias de antigamente pois vendem quase tudo: desde agulhas para costura até cigarros e bebidas, além de terem mesas para os clientes poderem apreciar um sorvete ou um refrigerante, ou mesmo pra consumir “um dedo de prosa”, que costuma ser de graça; e o campeão deles: o Brechó.

Antigamente os brechós eram lugares onde a gente procurava apenas roupas e calçados usados. Hoje em dia, com a concorrência estabelecida pela quantidade de estabelecimentos, eles vendem também louças, talheres, móveis, instrumentos musicais, livros, relógios e tantas outras incontáveis quinquilharias.

Devo ter passado por uns três ou quatro brechós nesse curto espaço que percorri. Parece que, em bairros mais antigos, eles se proliferam e acabam se especializando, uns em roupas e acessórios como sapatos, xales, cintos e bolsas, outros em móveis e inutilidades domésticas dessas que são insistentemente anunciadas pelos meios de comunicação como solução pra tudo, desde descascar uma cebola sem chorar até tomar um cafezinho sem ter que esquentar a água, e outros ainda em antiguidades que se confundem com todos os outros itens, a ponto de acharmos que temos em casa algo muito valioso, que poderia solucionar definitivamente nossas finanças.

Com a quantidade de pequenos negócios que mencionei acho que vamos acabar vendendo coisas uns para os outros, retornando ao escambo (troca de mercadorias), modalidade de negócio mais antiga da humanidade.
Por outro lado o brechó já cumpre esse papel pois ele é o escoadouro de todos os nossos sonhos: Aquele joguinho de pratos chineses (A maioria “MADE IN CHINA”), taças de cristal da boemia, o relogio Pataca ou Ômega (Que a gente chamava de oméga ferradura, dado o seu símbolo ser a letra grega ), de todas as nossas frustrações: O descascador de batatas que nunca funcionou direito, aquele multi-processador manual que, na mão do vendedor fazia maravilhas mas nas nossas..., o casaco de peles que, por nunca ter feito frio a gente nunca usou, o sapato que compramos com número menor, achando que lacearia o suficiente, ou maior que encontramos numa liquidação irresistível, chapéus e tanta coisa mais que, se não tivéssemos comprado, não faria a menor falta.

O engraçado nisso tudo é que muita gente, inclusive eu, se sente tentada a adquirir todas essas coisas. Dessa maneira fica interessante a gente frequentar esses locais só para ficar observando as pessoas revirando um cesto de roupas ou, nos mais organizados, filas interminaveis de cabides com calças, camisas, ternos; prateleiras cheias de sapato (Fiquei sabendo outro dia que algumas pessoas escondem pares de sapatos dentro de guarda-roupas, lá do brechó mesmo, para levá-los em outra ocasião, visto estarem sem dinheiro naquela visita). Depois (Já vi acontecer uma porção de vezes) chega em casa e mostra a aquisição dizendo ¬Uma pechinha! Às vezes vem aquela pergunta: ¬Pra que serve?
Resposta ¬Acho que é pra... – A pessoa nem sabe pra que serve e comprou.

Outra coisa que o brechó pode resolver é o consumismo, praga que nos atinge há pelo menos um século, pois de um lado estão os que compraram e finalmente desistiram daquela inutilidade e, de outro, os que ainda descobrirão essa inutilidade, mas pela metade do preço.

Já temos brechós que vendem computadores e televisores (alguns modernos), material esportivo (Já vi até esquis de neve – Já pensaram: Quem compra esquis aqui no Brasil?)

Certa vez, há uns três anos atráz, não resisti e, a contragosto de minha esposa (Ela me diz isso até hoje, como se a aquisição tivesse sido ontem), comprei uma espiriteira de prata que era uma verdadeira pechinha. Cheguei em casa, dei um polimento na peça e a deixei novinha em folha. Depois de receber os elogios de praxe coloquei-a em cima de um armário onde está até hoje. Resultado: Ou dou de presente para que alguém a guarde por mais uns três anos e descubra sua inutilidade, o que vai me custar mais um polimento, ou devolvo para algum brechó por uns vinte por cento do que paguei. Negocião!

Outra característica encontrada em visitantes de brechós é que ninguém, ou quase ninguém admite que compra nesses estabelecimentos e, quando os visita o fazem apenas por curiosidade. Mas, não raro, encontramos alguns objetos em casas que visitamos que “só podem ter sido adquiridos em brechós”, sobretudo se levarmos em consideração o tempo de casados daqueles amigos. Quando indagamos invariavelmente respodem: ¬É herança.

Eu continuarei a visitá-los, pois sempre encontro coisas muito interessantes tais como discos, alguns livros raros (já comprei um que foi o único livro escrito pelo Henfil, e com dedicatória e tudo), móveis e utensílios que remetem à minha infância. Às vezes compro coisas apenas para mostrar para meus filhos que, de outra forma, certamente não teriam como conhecê-las.

Recomendo também aos políticos brasileiros que os visitem. Quem sabe lá eles consigam finalmente descobrir a inutilidade do poder que detém e que, no final, só serve para adquirir coisas que, de uma forma ou de outra, acabarão em algum brechó, pois, ainda que confeccionadas em ouro ou diamantes, tem menos importância do que a camisa que eles estejam vestindo ou a comida que consumiram em sua última refeição visto que nunca podemos afirmar que faremos a próxima. E ainda que todo o dinheiro e todos os bens que acumulamos não são nossos, uma vez que daqui nada levamos a não ser, caso haja outra vida, o que aprendemos, aí incluido o prazer, NOSSA EVENTUAL HONRA, e as frustrações de nossas vidas.

Lá também podemos encontrar um pouco de nossa história recente, em coisas que em breve estarão em museus (Afinal pra que esperar?).

Em diversos bairros de São Paulo os próprios imóveis estão sendo tratados como se estivessem em um brechó tal o estado deploravel em que se encontram. Seus proprietários, no afã de perpetuar suas dinastias, tentam vendê-los por valor muito maior do que efetivamente valem e, com sua morte, os herdeiros não conseguem negociá-los, muitas vêzes por litígio motivado pelas mesmas razões. Assim ficam ali, testemunhando o tempo ao sabor de ventos e intempéries que os destroem como se quizessem varrê-los da história, o que acaba efetivamente acontecendo, a não ser que sejam invadidos o que os transforma em cortiços, que convenhamos, é ainda pior.

Em Salvador, no caminho entre a cidade baixa e cidade alta, tem uma rua em que todos os edifícios (muito antigos) só tem as fachadas e quase todas quase caindo. Uma briga entre os herdeiros dos antigos proprietários e o poder público, inviabiliza qualquer restauro. Resultado: Um grande brechó a céu aberto.

Quem sabe, no dia em que nos desfizermos de tudo o que tivermos, segundo sua inutilidade de momento, não obtenhamos a tão sonhada harmonia social. Afinal, de alguma maneira, teremos que nos desfazer mesmo!


Nossa única herança de fato, ainda que também transitória, está exprimida neste poema de João Cabral de Melo Neto, que faz parte de seu texto: Morte e vida Severina e inclusive serviu em parte, para compor a letra da música Funeral de um Lavrador, de Chico Buarque de Hollanda:


Esta cova em que estás

Esta cova em que estás com palmos medida,/ é a cota menor que tiraste em vida/ É de bom tamanho,nem largo nem fundo/ é a parte que te cabe deste latifúndio/ Não é cova grande,é cova medida/ é a terra que querias ver dividida/ É uma cova grande para teu pouco defunto/ mas estarás mais ancho que estavas no mundo/ É uma cova grande para teu defunto parco/ porém mais que no mundo te sentirás largo/ É uma cova grande para tua carne pouca/ mas a terra dada não se abre a boca/ Viverás, e para sempre,na terra que aqui aforas/ e terás enfim tua roça/ Aí ficarás para sempre,livre do sol e da chuva/ criando tuas saúvas/ Agora trabalharás só para ti, não a meias/ como antes em terra alheia/ Trabalharás uma terra da qual, além de senhor/ serás homem de eito e trator/ Trabalhando nessa terra,tu sozinho tudo empreitas/ serás semente, adubo, colheita/ Trabalharás numa terra que também te abriga e te veste/ embora com o brim do Nordeste/ Será de terra tua derradeira camisa/ te veste, como nunca em vida/ Será de terra e tua melhor camisa/ te veste e ninguém cobiça/ Terás de terra completo agora o teu fato/ e pela primeira vez, sapato/ Como és homem,a terra te dará chapéu/ fosses mulher, xale ou véu/ Tua roupa melhor será de terra e não de fazenda/ não se rasga nem se remenda/ Tua roupa melhor e te ficará bem cingida/ como roupa feita à medida.






A DESINFORMAÇÃO DA NOTÍCIA

Recentemente acompanhei no noticiário da TV uma ação de despejo efetuada por policiais militares, a mando da justiça, contra cerca de 2.000 pessoas que ocupavam um terreno de um bairro da zona sul de São Paulo, pertencente a uma empresa de ônibus que tinha dado a área como garantia de dívidas com o INSS, ou outro órgão parecido. Desde aí já estranhei que a justiça tivesse aceitado como pagamento, ainda que em forma de arresto, um terreno invadido, com pouco valor comercial e, naquele momento, com grande apelo social. Mas... Já que a justiça é cega...

A ação foi executada com muito alarde e com certa violência, pois os despejados, em atitude desesperada resistiam com barricadas, incêndios de automóveis, atirando pedras e bombas incendiárias contra os policiais e recebendo em troca bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e até balas de borracha. Toda a ação foi documentada tanto ao pé do chão, como por helicópteros que mostravam um trator, tal como um rinoceronte enfurecido, invadindo e destruindo os barracos impiedosamente. Em poucas horas tudo estava em ruínas, com diversos focos de incêndio, parecendo um campo de batalha onde ninguém sobreviveu.

Era um dia frio e chuvoso e podia se ver através das lentes o martírio que seria imposto àquelas pessoas: homens, mulheres, idosos e crianças de todas as idades, a partir daquele momento. No dia seguinte a reportagem ainda continuava lá e pude constatar que o resultado correspondeu à minha expectativa, pois muitas daquelas famílias tinham se abrigado ali mesmo, na rua, embaixo de lonas, juntamente com todos os seus parcos pertences e sonhos: geladeiras, TVs, aparelhos de som etc.. Crianças pequenas muito molhadas e sujas de barro, algumas com o olhar perdido, como que procurando o horizonte e outras brincando, sem perceber a repentina falta de endereço. Um de mais ou menos seis anos, arrastava outro, provavelmente seu irmão menor, pra chegar a algum lugar e me perguntei: Pra onde?

As famílias relutavam em seguir para algum abrigo da prefeitura, pois neles não são admitidas crianças o que acarretaria na separação de seus filhos. Tudo isso tornava a situação ainda mais dramática e acredito que nada tenha mudado ainda, para aquelas pessoas.

Nesse mesmo dia, à tarde, a noticia já era outra e falava de algum jogo do campeonato brasileiro, ou da possível volta de Ronaldo ou qualquer outra besteira política, dessas que lotam os noticiários brasileiros.

Dois mil desabrigados passaram de notícia dita aos berros pelos apresentadores a assunto velho em menos de 24 horas.

-O-O-O-O-O-O-O-O-O-

Um dos jornalistas mais lembrados e festejados de nossa história recente é Euclides da Cunha, muito por ter sido o enviado do jornal O Estado de São Paulo para a cobertura da Guerra de Canudos que resultou em sua maior e mais conhecida obra: “Os Sertões”. Inegavelmente todas as homenagens que lhe são prestadas são justíssimas, pois, somente por suas reportagens e finalmente pelo romance, a sociedade da época ficou sabendo da calamidade imposta aos sertanejos, já miseráveis pelas questões geográficas (seca, fome etc.) e ainda destruídos impiedosamente pelo exército republicano.

Como sou assinante do Estadão, tenho recebido diversas matérias comemorativas ao centenário de sua morte e andei dando uma relida em sua obra prima. Traçando um paralelo, fiquei pensando: se Euclides estivesse entre nós hoje, teria a mesma sorte?

Cabem aqui algumas breves reminiscências sobre “Os Sertões”:
-Euclides da Cunha era formado em engenharia pela Escola Militar, ainda durante o período monárquico brasileiro, a despeito de ser um republicano convicto.
-Essa convicção, para se ter uma idéia, o levou a ser preso por atirar-se ao chão durante uma visita do ministro da guerra. Com a proclamação da república foi inocentado.
-Já escrevia para o antecessor do Estado, a Província de São Paulo e Rui Mesquita o designou para a cobertura da rebelião anti republicana que se instalava no interior da Bahia (pelo menos era assim que chegavam as notícias do conflito).
-Sua formação permitiu-lhe uma perfeita análise geoeconômica da região e sua sensibilidade nata fez entender e explicar muito bem aos seus conterrâneos e depois ao mundo, a relação entre o sertanejo e sua terra. Como mandava artigos quase que diariamente, compulsivo por detalhes, acabou fazendo um diário de toda a sua excursão, acompanhando o exército em sua última e fatal escaramuça.
-À medida que avançava ficava sabendo dos reais motivos que geraram o conflito e acabou por se desiludir em relação à república percebendo que, se de alguma maneira não reportasse aqueles motivos, estaria a serviço dos poderosos da época.
-Antonio Conselheiro, principal personagem de “Os Sertões” era um sujeito de paz e seu único crime foi tirar alguns sertanejos da mais absoluta miséria, organizando-os e afastando-os dos coronéis que os escravizavam. Dizia: “Quem quiser ter comida e dignidade me acompanhe”. Parecia mais um andarilho desses que a gente vê todos os dias e até com menos cultura do que lhe atribuem.
-O povoado de Canudos era um lugar miserável e destituído de qualquer interesse por parte dos manda-chuvas só que, organizado, atraiu muitas pessoas que preferiam se submeter às regras de Conselheiro a ficar sob o julgo dos centenários comandantes, sem nenhuma perspectiva de melhora. Pra se ter uma idéia da simplicidade do lugar, a palavra “favela”, designando uma comunidade, é homônima à ao nome da madeira que os sertanejos utilizavam na confecção das casas em Canudos.
-Por armação dos coronéis a policia acabou invadindo o povoado e foi rechaçada por jagunços egressos do cangaço, cansados de guerras, que se instalaram sob as ordens do Conselheiro.
-Dessa maneira, já que a proclamação da república era recente, os políticos da época informaram a capital do país, ainda no Rio de Janeiro, que se tratava de uma rebelião.
Deu no que deu: Mais de 10.000 mortos e destruição total do povoado.

Em 1896, antes mesmo da publicação de sua obra prima (15.08.1902) já se dizia um republicano desiludido, certamente pelas lembranças da guerra e de seus reais motivos, torpes e indignos. Em 1904, durante a excursão que comandou ao rio Purus, a pedido do Barão do Rio Branco, vendo a destruição imposta pelos brancos aos nativos intitulou: “Construtores de Ruínas”.

O que seria de Euclides hoje?
Sem motivação a não ser sua sobrevivência, em busca da última notícia que tem menos importância do que o anúncio de algum produto de limpeza ou inutilidade doméstica que é feito nas páginas dos jornais ou nos comerciais do radio e televisão. Preso a uma pauta ou uma tela de computador que devorariam suas palavras tal como um bode come milho e que teriam o mesmo destino do milho, mas com função menor ainda, já que não alimentariam ninguém. Sem contar o Copy Desk que lhe modificaria todo o texto.

Pobre Clidão (seria chamado assim?)

Provavelmente estaria metido em um terno de segunda categoria, cheio de palavras pré estudadas, sem tempo pra digerir a notícia de modo a fornecê-la com a qualidade de quem investiga, verifica, interpreta e produz opinião. Servo dos oligarcas, hoje mega oligarcas, que, tal qual faziam e ainda fazem os coronéis mandam segundo sua fisiologia política de momento.

No melhor estilo medieval poderia estar preso a uma rede de notícias, ligada a alguma igreja ou grupo econômico/político, dizendo apenas o óbvio: “Onde é que estamos? Autoridades como é que fica? Etc.”

Acho que até Rui Mesquita, na época já oligarca da comunicação, não sabia, tanto da real motivação do conflito como dos possíveis resultados de seu envio à linha de frente, pois, se soubesse, talvez mandasse um jornalista pautado com orientações bem específicas e, quem sabe, nem “Os Sertões” teria sido publicado.

Acontece que sua publicação aconteceu em um momento de baixa aprovação popular à república, o que facilitou as coisas. Os comandantes da nação estavam gostando daquela história de “poder” e não queriam largar o osso. Claro que “O Estado de São Paulo” já fazia oposição àquele estado de coisas que não interessava à burguesia emergente. Tudo devidamente encaixado: “Hora certa, lugar certo, motivação certa”.

No caso com que comecei estas páginas, sendo ele o repórter, não poderia utilizar sua forte percepção e sensibilidade para sequer descrever as situações que mencionei, pois uma câmera de vídeo ou fotográfica reportaria as imagens com tanta velocidade que, fossem quais fossem suas impressões, de nada adiantaria e o diretor mandaria que parasse imediatamente com qualquer envolvimento com a matéria.

“Ah! Clidão!”

E se fosse escalado para cobrir o noticiário político/policial de nosso atual congresso?
Aí seria catastrófico, pois estaria concorrendo com colegas que se portam mais como palhaços e humoristas de gosto duvidoso que tratam as falcatruas e desmandos como se fossem piadas que não nos fazem mal. Caso não se curvasse ao meio sequer estaria em grandes empresas de comunicação. Como exemplo existem hoje diversos comunicadores que, depois de conseguirem obter seu intento (perfeitamente justificado) de estar em uma grande empresa, com um excelente salário, curvam-se perante os poderosos que lhes dão de comer e ditam-lhes o que dizer.

“Já pensaram no Domingão do Clidão?”, ou
“Programa do Clidão?”, ou “Clidão Onze e Meia?”

É amigos... A coisa tá feia!!

Um bônus:

PÁGINA VAZIA

Quem volta de região assustadora
De onde eu venho, revendo inda na mente
Muitas cenas do drama comovente
Da guerra desapiedada e aterradora

Certo não pode ter uma sonora
Estrofe, ou canto ou ditirambo ardente, (*)
Que possa figurar dignamente
Em vosso álbum gentil, minha Senhora

E quando, com fidalga gentileza,
Cedeste-me esta página, a nobreza
Da vossa alma iludiu-vos, não previstes

Que quem mais tarde nesta folha lesse
Perguntaria: “Que autor é esse
De uns versos tão mal feitos e tristes?”

EUCLIDES DA CUNHA - 14.10.1897

(*)-ditirambo
1. Canto litúrgico em honra de Baco.
2. Poesia em que se celebra o vinho.
3. Qualquer poesia exprimindo entusiasmo ou delírio.

-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o

Faço questão de postar o comentário muito elogioso de um amigo, Heleno Barbosa que, além de grande músico, procura, assim como eu o caminho a ser seguido pela humanidade, sobretudo nosso povo brasileiro que mostra em sua miscigenação a solução para a maioria dos problemas.
Apesar de tanta gente, acostumada ao poder desmesurado que desfaz toda a percepção de humanidade, fazer de tudo para que as coisas deem errado, como remissores dos pecados originais, tenho certeza, venceremos.

Muito obrigado Heleno


Tomo a liberdade para comentar o belo Artigo de Zanata sobre Euclides da Cunha. O texto é irretocável e brilhante, diga-se !! A grande sacada foi a sua projeção imaginária no sentido de que quem seria Euclides da Cunha hoje, mas vou ousar numa "resenha", sujeita ao crivo do autor que assim deverá fazê-lo sem pudor.

Euclides da Cunha, segundo Zanata, à semelhança dos grandes vultos históricos planetários, se "converteu" no meio da caminhada, pois aquilo que seria uma simples matéria jornalística, acabou por se transformar numa importante obra literária, por assim dizer, tamanha sua sensibilidade ante à barbárie muito bem travestida de razões político-republicanas, cujos protagonistas não passavam de genocidas de segunda classe. Qualquer semelhança com o General Guatierez no episódio "Guerra das Malvinas" , dos neos-genocidas George W. Bush e Tony Blair na recente invasão do Iraque, apoiado pelas mais rasteiras das classes empresariais do planeta, não será mera coincidência não, e sim uma constatação de fatos.

Analisando o texto de Zanata, ocorreu-me, sinceramente, como nunca ocorreu em outras leituras sobre o mesmo assunto, que o despertar de Euclides da Cunha para os fatos reais, em face da satânica incursão da facção de oligarcas nas hostes do poder absoluto, sempre coesos quando a indústria da miséria é ameaçada, e que até hoje recusam-se a "largar o osso", também não é mera coincidência, mas situações análogas, quando comparadas com os despertares de Paulo de Tarso, quando a caminho de Damasco, e de Agostinho quando em prantos nos jardins do Palácio Imperial de onde ele ajudava a governar a plebe com sua rara inteligência e de onde partiu para olhar melhor a grande missão que deixara para traz na Africana Tagaste onde nascera. "Caiu a ficha" mesmo, no meio da missão !!

Realmente ele estaria a um passo de ser um Clidão na atualidade (outra tirada sensacional do Zanata !!), porque hoje já não funciona mais a estratégia feudal do "pão & circo", visto que, o que a grande mídia do terceiro milênio nos oferece é somente lixo (não reciclável por sinal) que impediria qualquer opinião que viesse a contrariá-los. Aliás, não precisa muito para desagradá-los, pois tudo que para eles não é aplauso é ofensa. Lixo é bem pior que pão & circo !!...saudades da idade média ??!!...Marilena Felinto, brilhante jornalista que foi defenestrada da Folha de São Paulo, que o diga.

Mas felizmente ando constatando o nascimento de vários Euclides da Cunha nas periferias de S. Paulo, pelas obras de poetas periféricos (conheço vários deles pessoalmente), artistas anônimos, intelectuais auto-didatas e de legítimos líderes comunitários, os quais, uma vez desiludidos com essa grande mídia, estão instruindo com muito desapego o povão tido como ignorante por várias gerações.
Esses "Euclides", a julgar pelo que constatei, jamais deixarão o "Clidão" vingar e estão conseguindo disseminar o feito em todas as demais cidades com grandes populações suburbanas e ultra-periféricas. Além desses "Euclides" cosmopolitas, é necessário ressaltar a magnífica significação do Movimento Mang Beat pelas mãos dos pernambucanos Chico Sciense e Fred Zero Quatro, até hoje pulsante em todos os corações dos meios culturais populares politizados, que ganhou até honras em níveis espirituais dos mais conhecidos dos "Euclides" da atualidade, Tom Zé e Gilberto Gil. Isso dá muito alento, pois esses "Euclides" andam reunindo-se semanalmente em Saraus literários e ganhando a cada ano adesão daqueles que já estão cansados da ilusão do "pão & circo" e sobretudo do bagulho que a alta esfera midiática oferece em forma de "merda enlatada", principalmente nas TVs.

Recomendo, pois, ao caro Zanata, pelo menos para não perder as esperanças, pois o legado de Euclides da Cunha está vivo e atuante. O povão, agora cada vez mais experimentado, desvencilhando-se pouco a pouco dessas corporações sem face e sem alma, que sempre querem falar em nome de todos, é o legítimo herdeiro e o fiel representante dos guerreiros de Canudos.

Quanto aos oligarcas, não posso dizer o mesmo e nem dar boas notícias sobre eles, pois suas classes estão representadas pelos nefastos expedientes dos traficantes de drogas, os quais, por sinal, estão loucos para exterminarem os "Euclides".

Heleno Barbosa
Powered By Blogger