NÃO ENTENDAM COMO RECLAMAÇÃO, pois durante quase toda a minha vida me intitulei: Apotílico, Ateu, Areligioso, Azarado e últimamente teem-me chamado de Anormal, certamente pelo tamanho de meu nariz ou minha barriga, que, como disse o Ubaldo, tem tornado um simples “amarrar calçados” em uma modalidade olímpica. Entendam sim como MEA CULPA, termo que, desde os sanguinários Caesares, inspiradores dos conquistadores, caudilhos e ditadores modernos, quando ao pé da eternidade é utilizado para justificar todas as mazelas e desumanidades por eles praticadas. Não querendo esperar estar tão perto da vida eterna para tentar me redimir e sem querer aconselhar, mas já aconselhando, espero que os mais jovens leiam e pensem no que estou dizendo.
Como últimamente tenho tido tempo e saco para não fugir da informação, muito ajudado por esta maravilha que é a internet, que já julgo coisa de Deus, sim pois se a natividade de Jesus tivesse sido informada pela net, certamente Ele seria unanimidade, mas seu pai, que não é burro (já que toda unanimidade é burra), deixou passar 2000 anos para permitir sua implantação, dando-lhe assim a maior qualidade humana, legada diretamente a Adão e Eva: o livre arbítrio.
No entanto isto acaba sendo um tiro no pé, já que somente fazemos uso desse arbítrio para fugirmos de nossas responsabilidades. Não deveríamos portanto reclamar daqueles que, não acreditando nessa fuga, abraçam mais e mais responsabilidades, frequentemente “dando a cara a tapa”. Evidentemente acabam ficando com as divisões de tarefas e benesses, travestidas de direitos e obrigações. Naturalmente muito mais direitos para eles e muito mais obrigações para os demais, que tem que contentar-se com querelas.
Frequentemente vemos nossos líderes, eleitos por nós, oferecendo bolsa isso, bolsa aquilo, falando em saúde de graça, escola de graça, segurança de graça e tanta coisa de graça que até parece graça mesmo. Não contentes, quando temos oportunidade, ainda tentamos dar uma chegada a um deles pedindo mais alguma coisa “Sacumé”: Ser amigo de político bem sucedido nos coloca perto do poder, consequentemente “mais igual perante a lei” do que os outros. Acho até que a única diferença entre nós e eles, os políticos, é o posicionamento geográfico (Eles lá e nós aqui, com as mesmas aspirações e megalomanias)
Outra coisa engraçada é que, via de regra, nenhum desses eleitos que tanto dão de graça o que não lhes pertence, utilizam-se desses serviços e doações, senão vejamos: Já viram político usar o serviço público de saúde, excetuando-se é claro, os de referência ( Incor etc. )? E recebendo bolsa familia? Formando seus filhos aqui no Brasil em escolas públicas? (Claro que, depois de fazerem os melhores colégios e cursinhos pré vestibulares pagos, às vezes eles acabam estudando no ITA, na USP, ou nas maiores universidades federais, aliás aí se encontra uma das perversões do ensino público nacional: rico estuda até o colegial em escola particular e daí pra frente em escola pública e pobre faz o caminho inverso: primeiro estuda em escola pública e depois nas Unibandidos da vida, o que só contribui para a piorar o sistema). E segurança: Os caras, além de morarem em condomínios palacianos, andam com um monte de seguranças particulares. Pra que polícia?
Hoje participo de um clube que passa por algumas dificuldades. A maior delas é conseguirmos colaboradores entre os mais jovens. Como eu, eles não querem se envolver em questões para as quais não veem solução de curto prazo. Provavelmente, também como eu, todos tenham as soluções na ponta da língua, mas todas passam por matar alguém, jogar uma bomba atômica, recomeçar do zero e tanta coisa mais que, hoje, querendo apenas prolongar o máximo possível minha vida útil, vejo a inutilidade dessas bravatas sem sentido, a não ser tirar o nosso c. da seringa.
Dentre todas as soluções propostas e utilizadas pela sociedade, moderna ou não, a política é a única maneira de levarmos adiante nossa aspiração de nos perpetuarmos no topo da cadeia biológica de nosso planeta. A organização social passa por ela. Ainda que nunca contemple a todos, quando a utilizamos e, mesmo inconcientemente o fazemos diariamente, ela é a única mantenedora de nossas relações.
Quem ainda não se deparou com reuniões de condomínio, pais e mestres, sociedades de amigos do bairro, vazias ou com discussões sem palta, que não levam a nada; ruas em que vizinhos nunca se falam ou varrem as suas calçadas até chegar à divisa seguinte, lá deixando o lixo acumulado que seguirá até o último vizinho do quarteirão que terá que utilizar um “trator” para removê-lo?
Um dos preceitos que regem a política é que o direito de um termina onde começa o do outro, mas sem discussão e divisão de tarefas, esses direitos e obrigações ficam meio à deriva, sobretudo por termos o péssimo “hábito humano” de compararmos nossas virtudes com os defeitos dos outros, situação em que ficamos imbatíveis.
A participação está no dia a dia, desde não deixarmos um idoso atravessar uma rua sem ajudá-lo, até nos preocuparmos com o horário do caminhão recolhedor de lixo, de maneira a não deixarmos nosso lixo exposto por muito tempo.
A juventude tem que mudar alguma coisa, ingressando na política e politizando-se a partir do primeiro nível que é dizer bom dia a seu vizinho, conhecê-lo, saber de suas aspirações, suas reclamações etc., sob o risco de, quando forem mais velhos, estarem na mesma situação em que eu e muitos amigos meus estamos hoje: “Reclamando”
Jovens, não façam como nós: Ficando alienados em nome da sobrevivência.
A sobrevivência hoje permite que muitos de vocês possam ingressar na política de maneira a alterar este estado de coisas que há tanto tempo nos incomoda.
Arregacem as mangas e não permitam que essas “lideranças coronelísticas”, tão comuns em nosso quadro político, os acompanhem e a seus descendentes “AD ETERNUM”

