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quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

VERBO SUICIDAR




A COMUNICAÇÃO HUMANA, tendo como origem o empirismo, provavelmente iniciada com gestos e grunhidos, não poderia prever algumas situações inusitadas.

Uma delas é o verbo “suicidar”. A despeito de podermos conjugá-lo, tal como chover, relampejar, ventar e outros verbos impessoais, é, ao contrário, um verbo extremamente pessoal, de maneira que não podemos utilizá-lo como verbo auxiliar na segunda ou terceira pessoa:
“Vou te suicidar” ou “vos suicidarei”.

Portanto é uma conjugação, quando sem o pronome oblíquo na primeira pessoa (Me ou nos), quase inútil:
Eu suicido
Tu suicidas
Ele suicida
Nós suicidamos
Vós suicidais
Eles suicidam

Dirá o leitor: Como quase? – Pois é! Agora a pouco, lá na longínqua Suíça, uma das bases de nosso querido Papai Noel, que nos prometia como grande presente para este Natal a solução, ou pelo menos seu encaminhamento, para nossos problemas ambientais, nós, seres humanos racionais, sabedores que Kopenhagen (Que para a maioria de nós nada mais é que marca de chocolate!), apesar de longe, ainda está no planeta Terra, novamente surpreendemos o Criador conjugando-o na segunda pessoa do plural e, pior, colocando como objeto direto a própria Terra: Vamos suicidar a Terra.

Brasileiros um pouco mais antigos como eu já presenciaram esse verbo sendo conjugado nessas pessoas impossíveis. Algumas mortes de personalidades políticas ou de assessores dessas personalidades, dadas oficialmente como suicidio, ocorreram em circunstâncias muito estranhas, quase como os caras  se suicidando com dois tiros na cabeça. Cômico se não fosse trágico.

Mas lá, país de primeiro mundo onde todos, mesmo os do terceiro que lá estavam, presumivelmente líderes, incontáveis, incontestes e, agora comprovadamente, incompetentes, não esperávamos conjugação tão impessoal. Parece acharem que somente nós, pobres mortais menos favorecidos pela sorte, nascidos na metade errada do mundo, morreremos vítimas dessas aberrações climáticas, provocadas principalmente pela outra metade.

Provavelmente não existente nas línguas nórdicas, extremamente guturais (pronunciadas por sons saídos diretamente da garganta, quase urros e grunhidos sem consoantes) e inflexíveis, esta análise sintática foi esquecida pelos latinos que lá estiveram, até porque quem falou alguma coisa relevante, o fez de maneira populista, sem compromisso com a factibilidade, portanto falando pelos cotovelos.
Esquecemos-nos da maior de todas as premissas, mais que humana: Biológica, que nos é ensinada desde que somos concebidos (Quiçá até em nossa memória genética) “Só a vida garante a existência, racional ou não”.

A água suíça deve estar correndo morro acima e o fogo descendo morro abaixo (O pleonasmo redundante é de propósito).

Será que os americanos nos passaram a perna de novo utilizando aquele grande teatro mundial apenas para promoverem o desenho animado do Jorge, aquele mesmo das “Navonas” que, quando começavam a passar na tela, de tão grandes que eram a gente até cochilava?

Será!!!?

Responderia Shakespeare, com outra indagação: - Maybe or may be?

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