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quinta-feira, 15 de outubro de 2009

SUCESSO = FELICIDADE OU FELICIDADE = SUCESSO



Sou músico amador e, por essas coisas da vida acabei influindo e ensinando as bases de alguns instrumentos para meus filhos. Tínhamos até um grupo musical, mas em dado momento me jubilaram e formaram uma banda de rock, liderada pelo mais velho e agregada de mais dois amigos, que frequentavam a mesma escola onde eles fizeram a segunda parte do primeiro grau.

Quando nossos filhos nascem a gente nem pensa direito no que eles serão, apesar de alguns de nós tentar fazer um planejamento que julgamos infalível, passando a fazer uma poupança que lhes servirá para a universidade, garantindo assim seu sucesso e consequente felicidade.

Um pouco por relapsividade assumida e muito por nunca ter acreditado que a gente detenha a fórmula para o sucesso de quem quer que seja, inclusive o nosso, caso contrário não divulgaríamos nem para nossos filhos, sob o risco de eles espalharem e a gente começar a fazer água, já que todos teriam acesso à citada fórmula, eu particularmente nunca dei muita atenção a essa coisa de planejamento. No entanto sempre fiquei atento a tudo o que estava acontecendo e, no que pude influenciar, procurei sempre dar o melhor de mim.

Lendo uma entrevista do Roberto Schyniashiki, concedida à revista “Isto É”, comecei a pensar em sucesso e felicidade. Se um incorre necessariamente no outro. Tanto na minha vida profissional quando ainda era empregado como agora, quando a banda de meus filhos procura o famigerado sucesso, se depara com tantos percalços que, volta e meia, chega à beira da dissolução do grupo: Falta dinheiro, prestígio, oportunidade e tanta coisa mais que o “fulano fica minado”, sem saber se continua ou pára definitivamente, ou até procura outro caminho. Enfim tudo parecendo mostrar que o cara não merece o buscado sucesso.

Acontece que, no caso da banda de meus filhos, considerando onde chega a maioria das pessoas, em qualquer área de atuação, artística ou não, esse sucesso já passou muito de qualquer expectativa que pudesse ter sido feita quando da fundação da banda. Mas como todos buscamos a perfeição, o melhor carro, a melhor geladeira, ser o mais cheiroso, que não peida nunca, isto fica relegado a um plano perverso e desestimulante, que pode nos levar terminantemente ao insucesso, aí sim incorrendo na infelicidade.

Posso garantir que tocar um instrumento (bem ou mal, tanto faz) e cantarmos, (remuneradamente ou não), dá um prazer indescritível. Não cansa, às vezes enche mas a gente tira de letra e, ao final de horas de cantoria, a gente, exausto, está feliz, não tem depressão, dorme como um bebê e sente o gosto do sucesso verdadeiro: aquele que não nos custou nada nem a quem nos aplaudiu.

Acredito que o que está faltando pra nós humanos é nos contentarmos com o sucesso que alcançamos, quando alcançamos, pois, como quase tudo, ele, apesar de efêmero, dá muito mais prazer do que o que possamos comprar: Um carro por exemplo, é novo até sair da loja. Mais efêmero que isso...

Não sou contra o consumo, até porque dependo dele, mas não concordo em balizarmos nossas vidas nessas aquisições, de maneira que nos esqueçamos dos verdadeiros valores que nos empurram para frente, não como seres sociais simplesmente, mas seres dotados de espírito. Muito mais do que aquele espírito que os religiosos cultuam que tem vida eterna “até porque pra sempre é um saco”, mas o espírito que sentimos todos os dias quando acordamos e nos sabemos vivos, tendo mais uma oportunidade de nos redimir, tornando-nos melhores do que éramos no dia anterior.

Esse espírito, por mais ateu ou atôa que sejamos, está latente, independentemente de nossa condição social, se estamos doentes, se somos menos favorecidos, gays, putas, bêbados, bandidos, políticos ( bandidos políticos e políticos bandidos também ).

Para ganharmos na loteria basta fazer um joguinho e ficar esperando: Até o bilhete correr a gente ganha um montão de vêzes, soluciona os problemas de todos os amigos e familiares, ri de tudo e ainda, de quebra, faz outros joguinhos, já que estamos com sorte, e damos varias voltas ao mundo. Tudo isso depende apenas de como estamos espiritualmente.

Sendo assim o sucesso sempre estará garantido e nossa felicidade também.

Um comentário:

  1. Lendo a sua mais nova "analise da vida" mais uma vez me diverti. Grata. Entretanto, gostaria de ponderar algumas linhas sobre o assunto, felicidade = sucesso ou sucesso=felicidade, quais sejam, no mundo capitalista que vivemos os RESULTADOS são prepoderantes acima de tudo, logo, resolvi, na minha vida, adequar a equação, me limitando a 50% de cada expressão. Tem dado certo, pois quando estou triste com um procuro resultado no outro e assim caminho...

    Uma certa amiga minha (doutorada em psicologia) me ensinou que a vida nao pode ser direcionada num só foco, pois senão der certo o tombo é maior... Ela me disse que temos necessitamos de ter direções nas diversas areas da vida, tais como amor, trabalho, amigos, familia (nossa), parentes, entre outros... pois é dificil tudo estar bom de uma unica vez! Isso sim seria sucesso, felicidade e tudo mais.

    Assim, meu querido amigo, acredito que devemos equalizar nossas atitudes não só no resultado de tudo mas naquilo que temos maior pela frente.

    Saudades de todos!!

    Côca.

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